Em fevereiro e março, tive o enorme privilégio de assistir a dois shows que sempre estiveram na minha lista de ‘must to’. O ColdPlay, que vai ficar para um post futuro e o Guns N’ Roses, uma das bandas que, definitivamente, teve uma enorme influência no meu gosto musical porque foi uma das primeiras que comecei a escutar, mesmo antes dos Beatles! Então, embora o show de Chris Martin e ‘sua trupe’ tenha sido surreal, na hora de escolher qual texto escrever primeiro, na minha cabeça só coube o Guns!
A minha ‘relação’ com eles é longa, já que passei minha adolescência escutando os discos e colando fotos de Axl Rose nas minhas agendas...ficava encantanda com aquelas bandanas, aquela voz e claro, aquela dancinha fantástica que ele fazia. Acho que em parte, a minha sensação de alma lavada depois do show se deve a isso... mas principalmente, depois de uma frase que escutei quando já estávamos saindo do Ginásio Nilson Nelson, em Brasília: ‘Agora sim, você vai poder dizer aos seus netos que assistiu a um show de rock...’ :)
E foi isso mesmo que aconteceu ali. Um show de 2h30, com músicas de rock, músicos de rock e um rockstar nato, que mesmo depois de muitos anos continua se portando como tal. E sinceramente, mesmo que ele não seja mais o mesmo fisicamente (o tempo passa, né?) e sua voz também tenha perdido um pouco daquela força, Axl tem o público na mão, é um ‘frontman’ e estava ali com aquela vontade real de fazer rock’n’roll. E fez!
O show, que começou com duas horas de atraso (algumas coisas nunca mudam...), foi aberto por uma banda de metal brasiliense chamada Khallice muito boa e depois o Sebastian Bach – lembram dele? – entrou quebrando tudo. Uma grata surpresa! Eu, que só conhecia o seu trabalho no Skid Row, banda que deixou em 1996 pra seguir carreira solo, gostei muito das músicas.
E então, era a hora do show mesmo começar...com a introdução da faixa título do ‘Chinese Democracy’ e uma explosão enorme de fogos (sério, eu achei mesmo que ia ter uma coisa nessa hora! Gritava que nem uma descontrolada! kkkkkk), entrou no palco um Axl encapuzado, de óculos escuros, chapéu e emendando com ‘Welcome to the Jungle’ eu já começei a pensar: ‘não é possível que esse cara não vai mostrar o rosto’. Mas, ele desfez essa injustiça com as fãs que tanto suspiraram por ele na adolescência e apareceu depois com a velha bandana na cabeça. Tudo bem que o visual rechonchudo não é o mesmo da época, mas sério, quem liga pra isso ao vê-lo dizer “Oh...thank you!” depois de pegar um baseado jogado por alguém no palco?? kkkkkkkkkkkkkkk
Axl continua com tudo, fazendo a tal da dancinha, correndo feito um louco de um lado ao outro do palco, subindo nas caixas de som e dando o melhor de si ali em cima. E a platéia sentiu isso. Cantou junto, gritou com ele e vibrou com cada pedaçinho do espetáculo, que foi um verdadeiro show de pirotecnia, com direito a milhões e milhões de papéis picados e muita chuva de prata. O público foi ao delírio!! E eu junto!!
Além de músicas novas como ‘Madagascar’ e ‘Better’, a banda caprichou nos clássicos. Mandou ver em ‘Knocking on Heavens Door’s’, ‘November Rain’ (essa foi pra me matar, né?), ‘Patience’, ‘Paradise City’ e ainda fez o cover clássico do Paul, 'Live and Let Die’ e 'Another Brick and the Wall’, do Pink Floyd, no piano! Só lamentei muito eles não terem tocado ‘There Was a Time’... :(
Mas o que mais me impressionou durante o show foram os músicos dessa nova formação da banda! Gente, sério, o que era aquilo? Onde o Axl encontra essa galera, que toca desse jeito??!! São três guitarristas (Richard Fortus, Bumblefoot e DJ Ashba), um baixista (Tommy Stinson), dois tecladistas (Dizzy Reed, que também faz piano e percussão e Chris Pitman) e um baterista monstro (Frank Ferrer). Aliás, corrigindo, guitarristas não, né...GUITAR HEROES!! Os caras são três monstros! Tocam muito! A uma certa altura do show, depois de tanto êxtase, quando ouvi aquele riff quase que indecente de ‘Sweet Child ‘O Mine’, eu só conseguia pensar: “Quem é o Slash mesmo??”. Ainda mais depois que ele começou a imitar o próprio, com o cigarrinho pendurado na boca e aquela cartola preta na cabeça! ‘Tiração’ de onda maior não poderia existir!
O shows que rolam no Brasil dão continuidade a turnê oficial ‘Chinese Democracy World Tour’ iniciada em dezembro do ano passado e promete ser a maior da banda, pois de seus quatro primeiros shows, em Taipei, Seul, e Japão, o ultimo teve mais de três horas de duração. Aqui foram duas horas e meia, mas também, com um disco que demorou 13 anos pra ficar pronto, não poderia ter sido diferente, né?
Bom, os fãs só esperam que a turnê termine do jeito que começou: com uma banda formada por feras mandando ver no palco e um Axl cheio de disposição, gritando, correndo e jogando o microfone na platéia no final dos shows! Kkkkkkkkk...é esse Axl que nós conhecemos e amamos!!
E pra terminar, relato aqui uma cena fofa que vi na porta do estádio quando já estávamos indo embora: dois fãs homens, amigos eu imagino, se abraçando, chorando e gritando “caralho, caralho!!” na porta do ginásio! Kkkkkkkkkkkkkk...existe coisa mais rock’n’roll do que isso?? I don’t think so... :PP











.jpg)
Quando eu decidi ir pro Rio ver o Radiohead, minha cabeça só conseguia pensar: ‘Porra, vou ver os caras, não acredito!’. Quem me conhece, sabe que eu sou MUITO fã dos Hermanos, mas o tal do hiato me deixou meio desanimada, desempolgada com a banda e desde então fiquei mais na defensiva. Só cheguei a me desarmar mais com o ‘Little Joy’, que é muito bom e também porque eu acho o Amarante a alma da banda - e isso ficou muito claro no show. Mas, enfim, me perdi no meio da conversa :P. Então, eu sempre fui muito fã do Radiohead até o ‘Hail to the Thief’, quando dei uma surtada com aquela coisa toda meio louca e só voltei a curtir a banda mesmo com o ‘In Rainbows’, que é pra mim, um dos melhores discos dos últimos 20 anos.
Bom, aproveitando essa onda do eletrônico e tal, falo logo do Kraftwerk, a surpresa da noite. Quer dizer, nem foi tanto assim, porque já imaginava que fosse gostar, mas eu acabei me amarrando muito mais do que pensava! Os tiozinhos alemães levaram a galera ao delírio com clássicos do ‘Autobahn’ e ‘The Man Machine’, que eu não conhecia, mas que já estou baixando. Fora que o lance da banda é muito surreal, de quatro caras lá em cima só no laptop fazendo aquele som meio louco, mas que com aquelas palavras no telão fazem todo sentido, sabe? E fora que eles já faziam isso em 1974, quando o mundo respirava rock e punk, ou seja, uma revolução no cenário musical da época e que continua arrebatando fãs mundo a fora, inclusive aqui. A escolha da banda pra anteceder o Radiohead fez todo sentido, algo do tipo, “olha, tudo começou com isso aqui e hoje vocês ouvem coisas fantásticas como isso aí”. Foi isso.
Na verdade, as três bandas se reuniram pra tocar no ‘Just a Fest’ e o que eu achei mais legal é que os três grupos são de culto e não de massa, então os públicos eram diferentes, mas todo mundo naquela mesma ‘onda’ de estar ali vendo, ‘cultuando’ suas bandas preferidas. Então os shows tiveram muita emoção, essa troca de energia com o público, o que na minha opinião, é indispensável. E de resto, que Thom Yorke e sua trupe volte muitas e muitas mais vezes ao Brasil...porque com certeza, eu vou estar lá!