Desde o início da década, me apaixonei pelo ‘indie rock’ e venho acompanhando algumas bandas que se lançaram na época. São as minhas ‘apostas pessoais’, uma galera que surgiu depois de uma ‘parada’ no cenário musical e que faz um som de ótima qualidade. E aí eu comecei a escutar algumas coisas que pesquisava na internet ou ouvia na MTV, quando eu ainda era uma telespectadora assídua do canal. Então, ‘adotei’ algumas – Franz Ferdinand, Strokes, White Stripes, Raconteurs, Arctic Monkeys, Bloc Party e por aí vai... – e fico sempre esperando ansiosamente pelo lançamento de qualquer material novo dessa pessoal.Uma dessas bandas que me chamou atenção logo de cara foi o ‘Kings of Leon’. Primeiro pela voz de Caleb Followill, que tem um timbre bem particular, agudo e rouco ao mesmo tempo – não sei bem explicar, mas que é do tipo que eu gosto de escutar – e depois porque eles tocam o rock que eu gosto de ouvir: simples e forte...como whisky puro, que desce rasgando.
E isso é bem evidente no primeiro disco da banda, o "Youth and Young Manhood”, com as já clássicas ‘Holly Roler Novocaine’, ‘California Waiting’, ‘Red Morning Light’ e o hit ‘Molly’s Chambers’, que tocou muito na época...provavelmente vocês já ouviram. O disco foi um sucesso e como de costume, as bandas que estouram logo de primeira, sucumbem ao desespero de ter a todo custo, que superar o trabalho anterior. Na minha opinião, o “Aha Shake Heartbreak” foi o resultado da sobra, do que não entrou no primeiro e aí não deu outra: ficou repetitivo. No entanto, boas músicas como ‘King of the Rodeo’ e ‘Pistol of Fire’ salvaram a pátria. O terceiro e insuportável “Because of the Times” fez com que eu desse um tempo na banda, porque é um disco realmente chato, lento e distante de tudo que eles tinham feito até então.
Porém, com o lançamento de “Only by the Night”, parece que os caras se acharam de novo. O álbum concorreu na categoria "Melhor Álbum de Rock" no Grammy e com o single “Sex on Fire’, recebeu duas nomeações: "Melhor Performance de Rock por Duo ou Grupo com Vocais" e "Melhor Canção de Rock", além de ter recebido o prêmio de "Álbum do Ano" de 2008 pela Q Magazine e eleito pela revista Rolling Stone como o 20º melhor álbum do mesmo ano.
Aplausos para as excelentes ‘Sex on Fire’, com ótimos arranjos e riffs, ‘Use Somebody’, que com certeza vai virar um hit nesses canais de música, ‘Crawl’ - com guitarras pesadas e muitos efeitos, além da religiosidade da banda em versos como ‘The reds and the whites and abused, the crucified USA, I said the prophecy unfolds, all hell is surely on its way’ – e ‘Closer’, também cheia dos efeitos.
Por falar neles, os efeitos nas músicas parecem ter permitido uma inovação na banda, geralmente com um som bem cru. Funcionou. Eles conseguem manter o rock na veia mesmo experimentando novos sons, coisa que na maioria das bandas alternativas acaba se transformando no ‘feitiço que virou contra o feiticeiro’.
O fato da ‘Kings of Leon’ ser uma banda muito boa tecnicamente ajuda, é claro. A qualidade do som do ‘Only...’ é impecável, os arranjos são muito bem feitos e eles evoluíram nitidamente no quesito composição. Ao vivo eles provam a minha ‘teoria’ e incendeiam platéias, tudo bem ao estilo ‘rock do sertão’ – isso porque a banda é de Nashville, no Tennessee.
Formado pelos irmãos Caleb (guitarra e vocal), Jared Followill (baixo), Nathan Followill (bateria) e pelo primo Matthew Followill (guitarra), durante toda a infância e começo da adolescência eles tiveram uma educação muito rígida, estudaram em casa e eram proibidos de assistir televisão ou ouvir música secular. Enquanto o pai ainda fazia parte da associação religiosa, os caras faziam parte da banda da igreja.
Depois de muito sucesso e primeiros lugares na Europa e Oceania, só com o disco mais recente eles foram, finalmente, reconhecidos pelos próprios conterrâneos, que sempre tiveram preconceito com tudo que vem do Sul do país. Mas como eu sempre digo e repito que os americanos não sabem nada de música (salvo raras exceções), recomendo pra quem não conhece o trabalho da banda. Uma dica: comece pelo “Young...”, primeiro disco e depois pule pra o “Only...”. Daí já vai dar pra sacar qual é a dos caras e o mais importante: a evolução fantástica, que pode ser a transformação de uma ‘Kings of Leon’ com seu rock sulista em uma consagrada banda de indie rock – e das melhores.
Quando eu decidi ir pro Rio ver o Radiohead, minha cabeça só conseguia pensar: ‘Porra, vou ver os caras, não acredito!’. Quem me conhece, sabe que eu sou MUITO fã dos Hermanos, mas o tal do hiato me deixou meio desanimada, desempolgada com a banda e desde então fiquei mais na defensiva. Só cheguei a me desarmar mais com o ‘Little Joy’, que é muito bom e também porque eu acho o Amarante a alma da banda - e isso ficou muito claro no show. Mas, enfim, me perdi no meio da conversa :P. Então, eu sempre fui muito fã do Radiohead até o ‘Hail to the Thief’, quando dei uma surtada com aquela coisa toda meio louca e só voltei a curtir a banda mesmo com o ‘In Rainbows’, que é pra mim, um dos melhores discos dos últimos 20 anos.
Bom, aproveitando essa onda do eletrônico e tal, falo logo do Kraftwerk, a surpresa da noite. Quer dizer, nem foi tanto assim, porque já imaginava que fosse gostar, mas eu acabei me amarrando muito mais do que pensava! Os tiozinhos alemães levaram a galera ao delírio com clássicos do ‘Autobahn’ e ‘The Man Machine’, que eu não conhecia, mas que já estou baixando. Fora que o lance da banda é muito surreal, de quatro caras lá em cima só no laptop fazendo aquele som meio louco, mas que com aquelas palavras no telão fazem todo sentido, sabe? E fora que eles já faziam isso em 1974, quando o mundo respirava rock e punk, ou seja, uma revolução no cenário musical da época e que continua arrebatando fãs mundo a fora, inclusive aqui. A escolha da banda pra anteceder o Radiohead fez todo sentido, algo do tipo, “olha, tudo começou com isso aqui e hoje vocês ouvem coisas fantásticas como isso aí”. Foi isso.
Na verdade, as três bandas se reuniram pra tocar no ‘Just a Fest’ e o que eu achei mais legal é que os três grupos são de culto e não de massa, então os públicos eram diferentes, mas todo mundo naquela mesma ‘onda’ de estar ali vendo, ‘cultuando’ suas bandas preferidas. Então os shows tiveram muita emoção, essa troca de energia com o público, o que na minha opinião, é indispensável. E de resto, que Thom Yorke e sua trupe volte muitas e muitas mais vezes ao Brasil...porque com certeza, eu vou estar lá!
É oficial: estou viciada na 'Little Joy'!