É...parece que os garotinhos de Sheffield cresceram. Analisando ‘friamente’, a banda atingiu um nível muito superior aos seus antecessores – ‘Whatever People Say I am, That’s What I’m Not’ e ‘Favourite Worst Nightmare’ – mas por outro lado, senti falta do som de garagem da banda, do rock ‘visceral’ que eles vinham fazendo até então e da voz moleque, meio sem jeito do Alex Turner, que aparece com voz de homem feito nessa nova viagem do Arctic, que é o ‘Humbug’.
Considerados por muitos a ‘salvação’ do rock assim que surgiu em 2006, Alex Turner, Jamie Cook, Nick O’Malley e Matt Helders tomaram conta da cena musical na época e colecionaram prêmios importantes – de dar inveja a qualquer veterano – dentre eles, o de melhor banda do mundo da atualidade, realizado pela revista Q Magazine. Mas exageros à parte, os meninos são mesmo muito talentosos, sabem o que fazem (pude conferir ao vivo em 2007, no TIM Festival – http://kakasbarbosa.blogspot.com/2008/02/what-fuck-are-arctic-monkeys.html) e talvez o álbum que consolide de vez esse talento.
Produzido por Josh Homme, líder do Queens of the Stone Age, o álbum ganhou peso, densidade e parece ter sido mesmo feito por gente grande. O som do grupo está mais maduro, mas também menos dançante e eletrizante do que antes, o que tornava o Arctic delicioso de se ouvir. Paradoxalmente, acho que o ar sério e até meio sombrio do disco, o deixa menos enjoado e repetitivo.
Como já disse, a voz do Alex está mais audível, menos ‘esganiçada’ e com menos efeitos do que nos outros CDs. O baterista Matt Helders, como sempre, destrói tudo e pra mim, é o melhor músico da banda. Desde o 1º disco, ele sempre chamou atenção pela pegada forte e o ritmo contagiante. Em ‘Humbug’, Helders aumenta ainda mais o volume, dando mais força e peso às músicas, que continuam concisas, rápidas e eficazes. Adoro isso.
Os pontos altos, na minha opinião, são: “Pretty Visitors” (a guitarra pesada e arrastada divide os ritmos desse rock ‘quebrado’ e legítimo), “Fire and the Thud” (uma mistura de ‘The Coral’ e ‘Weezer’ que deu certo. Acho que é o melhor vocal de Alex no disco, com tons que variam de sexy ao clássico), “Secret Door” (uma das músicas mais bonitas e bem produzidas do CD) e “My Propeller” (com uma pegada lenta, mas forte, a faixa de abertura já mostra a que veio. Daria fácil uma trilha de 007).
Acredito que a carreira do grupo pode ser comparada ao amadurecimento de um jovem, passando pela puberdade, uma fase de transformação e aprendizado – bastante produtiva e criativa – e que agora chega à fase adulta: completa, madura e sonoramente evoluída. Que eles conservem essa maturidade nos próximos anos e quem sabe, cheguem à ‘velhice’ com o mesmo corpinho de 20 que os consagrou como umas das melhores bandas de sua geração.











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Quando eu decidi ir pro Rio ver o Radiohead, minha cabeça só conseguia pensar: ‘Porra, vou ver os caras, não acredito!’. Quem me conhece, sabe que eu sou MUITO fã dos Hermanos, mas o tal do hiato me deixou meio desanimada, desempolgada com a banda e desde então fiquei mais na defensiva. Só cheguei a me desarmar mais com o ‘Little Joy’, que é muito bom e também porque eu acho o Amarante a alma da banda - e isso ficou muito claro no show. Mas, enfim, me perdi no meio da conversa :P. Então, eu sempre fui muito fã do Radiohead até o ‘Hail to the Thief’, quando dei uma surtada com aquela coisa toda meio louca e só voltei a curtir a banda mesmo com o ‘In Rainbows’, que é pra mim, um dos melhores discos dos últimos 20 anos.
Bom, aproveitando essa onda do eletrônico e tal, falo logo do Kraftwerk, a surpresa da noite. Quer dizer, nem foi tanto assim, porque já imaginava que fosse gostar, mas eu acabei me amarrando muito mais do que pensava! Os tiozinhos alemães levaram a galera ao delírio com clássicos do ‘Autobahn’ e ‘The Man Machine’, que eu não conhecia, mas que já estou baixando. Fora que o lance da banda é muito surreal, de quatro caras lá em cima só no laptop fazendo aquele som meio louco, mas que com aquelas palavras no telão fazem todo sentido, sabe? E fora que eles já faziam isso em 1974, quando o mundo respirava rock e punk, ou seja, uma revolução no cenário musical da época e que continua arrebatando fãs mundo a fora, inclusive aqui. A escolha da banda pra anteceder o Radiohead fez todo sentido, algo do tipo, “olha, tudo começou com isso aqui e hoje vocês ouvem coisas fantásticas como isso aí”. Foi isso.
Na verdade, as três bandas se reuniram pra tocar no ‘Just a Fest’ e o que eu achei mais legal é que os três grupos são de culto e não de massa, então os públicos eram diferentes, mas todo mundo naquela mesma ‘onda’ de estar ali vendo, ‘cultuando’ suas bandas preferidas. Então os shows tiveram muita emoção, essa troca de energia com o público, o que na minha opinião, é indispensável. E de resto, que Thom Yorke e sua trupe volte muitas e muitas mais vezes ao Brasil...porque com certeza, eu vou estar lá!
É oficial: estou viciada na 'Little Joy'!
